Os problemas causados pelos “amigos” do chefe. Quando o informal se sobrepõe ao profissional.

  • 28/07
  • Empresarial

Estrutura organizacional é a forma como as empresas se adequam para desenvolver suas atividades. De forma simplista, é o ordenamento do que fazer, como fazer, em que ordem fazer e quem deverá fazer.

Resumidamente, existem duas formas de estruturas organizacionais: a Formal e a Informal.
Na Estrutura Formal, são definidos cargos e responsabilidades de forma hierárquica, ou seja, auxiliares, assistentes, supervisores, coordenadores, gerentes e demais funcionários sabem previamente, a quem devem satisfações. Essa estrutura pode ser vista e representada em organogramas ou mesmo nos títulos de cargos que cada um recebe ao entrar na empresa. Já a Estrutura Informal é aquela cujos laços entre os integrantes são de afinidade, amizade e proximidade. Nesse tipo de estrutura, um auxiliar pode “pular” a hierarquia e se entender diretamente com diretor da empresa, desde que tenha intimidade suficiente.

Apesar de quando questionados, a maioria dos administradores afirmarem que seguem somente estrutura formal, pois seus subordinados têm cargos definidos e não existem preferidos em suas empresas, sabemos que isso não é o que se aplica fielmente.

Em muitas empresas (principalmente nas familiares), a estrutura formal existe apenas parcialmente. Nessas empresas subordinados menos íntimos de seus superiores, fazem parte da estrutura formal, enquanto que subordinados mais íntimos, participam da estrutura informal.
Existem ainda, empresas onde observamos pura e tão somente, a estrutura informal. Nessas empresas a formalidade é reconhecida apenas, quando lemos os cargos descritos nos registros e folhas de ponto.

Nas empresas com predomínio de estrutura informal, gerentes, coordenadores e supervisores, tem seus campos de atuação limitados ao grau de intimidade/afinidade que possuem com seus superiores diretos, ou seja, quanto menor intimidade, menor será seu poder de atuação/decisão.
Por outro lado, assistentes, auxiliares e estagiários, acabam recebendo privilégios e até mesmo responsabilidades, para as quais não estão preparados, simplesmente porque tem mais afinidades com seus superiores.

A situação da estrutura informal, apesar de comum é bastante preocupante, pois dentro de empresas com esse tipo de estrutura, ocorre um duelo invisível entre os que se prepararam para assumir seus cargos e fazem parte da hierarquia formal e os que acreditam que amizades com superiores são suficientes para a ocupação de cargos e responsabilidades.

Este duelo invisível, causa um desgaste no relacionamento interpessoal dentro da organização, pois os participantes da estrutura formal dificilmente se relacionam de forma colaborativa com os participantes da informal. Um fato que deveria ser notado pelos dirigentes de empresas com esse problema, é que as relações informais podem ser muito delicadas e superficiais e, totalmente depende dos ânimos e anseios dos participantes.
De uma hora para outra, os superiores e seus preferidos, podem se desentender, e com certeza, a corda estourará para o lado mais fraco. Nessa situação, os "preferidos" que se tornarem indesejáveis na estrutura formal, dificilmente serão aceitos pelos integrantes da estrutura formal, já que não inspiram confiança.

É importante salientar, que muitas vezes, os "amigos" do chefe, podem até ser competentes, mas sua competência não é reconhecida pelos demais membros da empresa, que enxergam sua escalada profissional como fruto de bajulação e não de merecimento.

Mas ao contrário do que muitos pensam, a vida dos “preferidos”, não é um mar de rosas, isto porque, essas pessoas sofrem diariamente a consequência de estarem suscetíveis aos caprichos e vontades de seus superiores. Além de saberem, que precisam sim, bajular para continuarem a receber cargos e privilégios.

Até mesmo a permanência dos informais nas empresas, costuma ser mais curta que a permanência de outros, que estão em seus cargos por competência.

Conheci um empresário, cujo desejo era demitir um profissional muito competente, com o qual não tinha afinidades. Em três anos, três funcionários diferentes foram contratados para substituírem o tal desafeto competente. Para sorte ou azar desse empresário (ele gostava muito de uma bajulação), os três contratados se tornaram muito íntimos e queridos para ele, mas preferiram bajulá-lo ao invés de adquirirem habilidades que resultassem na substituição do funcionário competente, mas não íntimo. Depois de um tempo, soube que dos três bajuladores contratados, dois foram demitidos e um permanece na empresa, mas sem um cargo definido. Já o profissional competente continua lá, firme e forte, pois mesmo sem ter afinidades com o chefe, é ele quem resolve os problemas e mantém a carteira de clientes satisfeitos.

Espero sinceramente que os jovens entrantes no mercado de trabalho, prefiram fazer parte das estruturas formais nas empresas, e se preparem para alcançar cargos e promoções por competências e não por amizades.

Amizades dependem de duas ou mais pessoas e podem acabar de uma hora para outra. Os privilegiados na empresa A, podem não receber privilégios na empresa B.

Já a competência profissional, depende única e exclusivamente de nós. Pessoas competentes dificilmente precisarão de amizades com superiores para se destacarem nas empresas. E mesmo que mantenham amizades, não precisarão usar desse artifício para se estabelecerem.

 

Fonte: Contabeis.com (adaptado)

2017 © Todos os direitos reservados.